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Acariciar um cão pode elevar os níveis de anticorpos que evitam a proliferação de vírus e bactérias

Por Mente e Cérebro

A convivência com animais de estimação pode contribuir não só para o bem-estar psicológico, mas também para a prevenção e tratamento de várias patologias. (…) Os cientistas destacam, por exemplo, a melhora da imunidade de crianças e adultos, a redução dos níveis de estresse e da incidência de doenças comuns, como dor de cabeça ou resfriado. O objetivo do mapeamento, encomendado pela Comissão de Animais de Companhia (Comac), integrante do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), era enfatizar informações relevantes e pouco conhecidas sobre os benefícios sociais, psicológicos e físicos na relação entre o homem e o animal.

De acordo com o levantamento, as vantagens independem da idade. Os pesquisadores da USP citam, por exemplo, um trabalho que identificou vários benefícios aos bebês que convivem com cães. Certas proteínas que desempenham um importante papel na regulação do sistema imunológico e das alergias aumentam significativamente em crianças de um ano quando expostas precocemente à presença de um cão. Segundo a pesquisadora Carine Savalli Redígolo, este trabalho mostra que o convívio possibilita aos bebês ficar menos suscetíveis às alergias e dermatites tópicas. “Também foi observada a redução de rinites alérgicas por volta dos 4 anos e dos 6 aos 7, devido à redução da imunoglubina E, um anticorpo que quando em altas concentrações sugere um processo alérgico”, afirma. De acordo com a pesquisa ainda há resistência de pessoas com filhos pequenos adquirirem um animal de estimação: 44% das residências que têm pelo menos um pet são de casais com filhos jovens ou adolescentes; este número cai para 16% quando se trata de famílias com crianças até 9 anos. Um gesto simples pode trazer importantes efeitos ao sistema imunológico de pessoas de qualquer idade. “Acariciar um cão pode elevar os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, sendo importante na prevenção de várias patologias. Este resultado se deve, possivelmente, ao relaxamento que o contato com o animal proporciona”, explica Carine.

Pesquisadores do Reino Unido descobriram que resiliência, capacidade que faz com que as pessoas vençam frustrações e buscar superação é – em grande parte – hereditária

*Por Mente e Cérebro

Grandes vencedores – como o ciclista Lance Armstrong, que se recuperou de um câncer de testículo e venceu o circuito da França sete vezes – são naturalmente resistentes do ponto de vista psíquico. A resiliência (ou habilidade para se recompor psicologicamente) tem chamado muito a atenção de neurocientistas e psicólogos nos últimos anos.

A novidade agora é que essa capacidade necessária para lutar contra uma doença grave, se recuperar de uma desilusão amorosa, vencer nos esportes, ser aprovado no vestibular ou em uma entrevista de emprego pode, em grande parte, pode ser herdada. É o que sugere um estudo desenvolvido pelo pesquisador Tony Vernon, da Universidade de Western Ontário, no Canadá, que trabalhou com 219 pares de gêmeos.

Ele pediu aos voluntários que preenchessem um questionário para que pudesse investigar as contribuições genéticas e ambientais de quatro fatores associados a resistência mental: controle sobre a própria vida, comprometimento; confiança; e disposição para encarar novos desafios. Os estudiosos descobriram que 52% da variável resistência mental é hereditária e também pode estar relacionada à extroversão. “Essas pessoas são mais resistentes, não se deixam abater diante de adversidades e frustrações”, diz o pesquisador Peter Clough, da Universidade de Hull, no Reino Unido, que desenvolveu o questionário.

Especialistas ressaltam, porém, que não se trata de simplesmente negar o sofrimento e a decepção, emendando um relacionamento amoroso em outro, por exemplo, sem viver o luto da separação – pois isso pode trazer outros problemas como repetição de padrões destrutivos e aparecimento de sintomas físicos.

Pessoas resilientes entram em contato com a frustração, mas não permanecem na bipolaridade do “tudo ou nada”, mas buscam reparações e caminhos, sem perder o contato com a experiência, embora às vezes ela seja desagradável. Ou seja: aceitam o aprendizado e a limitação, mas não se prendem à limitação, procuram possibilidades. Pesquisadores acreditam que compreender melhor essa característica mais presente em uns que em outros pode ajudar as pessoas de forma geral a lidar melhor com o sofrimento.

Por Angelita Scardua

A princípio, pode parecer que Gosto Pela Aprendizagem e Curiosidade são a mesma coisa, mas não são! A curiosidade caracteriza uma atração pelo que é novo, desconhecido, inédito, etc. Mas, uma curiosidade por culinária, por exemplo, pode significar simplesmente uma disposição para experimentar comidas exóticas, ou por assistir um programa do Curtis Stone que está “rolando” na TV. Dessa forma, o interesse por culinária pode morrer assim que a curiosidade seja satisfeita. Melhor dizendo, a curiosidade culinária não faz de ninguém um grande cozinheiro ou um profundo conhecedro do assunto.

No entanto, quando alguém tem Gosto Pela Aprendizagem, ela se envolve na busca de informações pelo assunto que a interessa, mesmo que este já seja há muito um tema familiar. Ou seja, o interesse por algo não “morre” depois de passada a empolgação com a novidade. Portanto, o Gosto Pela Aprendizagem é caracterizado por uma busca contínua, e está associado ao desejo de se aprofundar no conhecimento de alguma coisa.

Quem tem Gosto Pela Aprendizagem adora estudar, não necessariamente em uma sala de aula! Bibliotecas, museus, livrarias, viagens, conversas, e até salas de aula…Rs! Qualquer oportunidade de aprender parece convidativa. Em geral, as pessoas que têm Gosto Pela Aprendizagem se tornam expertos em alguma área, seja pelos caminhos formais da Academia ou como autodidata. O conhecimento dessas pessoas é sempre admirado e valorizado por aqueles que fazem parte do seu círculo social, e muitas vezes por um público ainda mais amplo.

Essa capacidade de se envolver com o conhecimento, incorporá-lo e transmiti-lo, ocorre porque a pessoa com Gosto Pela Aprendizagem não quer aprender visando a algum tipo de recompensa ou benefício, o que a motiva a buscar o saber é o próprio prazer de aprender. As pessoas com essa característica não fazem um curso para ter o diploma, mas para adquirir conhecimento; não compram um livro para mofar na estante, mas para lê-lo; não vêm um filme porque todo mundo viu, mas porque querem vê-lo…A pessoa com Gosto Pela Aprendizagem quer compreender, entender as “engrenagens” por trás das coisas, seja uma máquina, uma teoria, uma receita, uma fórmula, uma língua, uma prática. Para elas não basta apenas repetir o que lhes foi passado, elas precisam desvendar os códigos, os conceitos, a matéria da qual as idéias são feitas. Elas desejam, e precisam, se apropriar do conhecimento.

O que isso tem a ver com a Felicidade? Ora, ora! Conhecer é libertador! Quando conhecemos as estruturas, a origem das coisas – os motivos que elas despertam e alimentam em nós – deixamos de aceitar passivamente receitas prontas, seja lá do que for. Conhecer nos ajuda a questionar e, mais do que tudo, a escolher. Fazer escolhas implica, necessariamente, conhecer as opções disponíveis. Aquele que não se dedica verdadeiramente a conhecer, não faz escolhas, apenas aceita o que lhe é oferecido sem sequer saber se está fazendo a melhor opção. E para sermos felizes é fundamental que possamos escolher, ou melhor, que saibamos fazê-lo. Não importa se estamos escolhendo um(a) namorado(a) ou um filme, uma pizza ou uma profissão.

Nesse sentido, o Gosto Pela Aprendizagem deve ser aquele comportamento que naturalmente segue a Curiosidade. Já que: uma vez que o interesse por alguma coisa nos desperte, o desejável é que sejamos capazes de nos aprofundarmos o suficiente para podermos avaliar a importância daquilo que nos despertou para a nossa vida. Mas para podermos proceder tal tipo de avaliação é essencial que tenhamos a disposição para conhecer – nos informando sobre o assunto, experimentando quando necessário. É conhecendo que amealhamos o volume indispensável de referências para compararmos duas ou mais situações e, assim, podermos fazer as opções que nos conduzirão a uma vida mais de acordo com os nossos próprios desejos e necessidades. Ou seja, saber escolher o que é o melhor para nós mesmos é, sem sombra de dúvidas, um bom caminho para a felicidade.

(…)

Tenha em mente que a felicidade não pode ser encarada como uma experiência momentânea, como um estado a ser desencadeado por “aquele” momento de clímax na história da sua vida. Se você enveredar pela busca fortuita da felicidade, você encontrará alegria mas perderá a oportunidade de conhecer. Porque o conhecimento exige dedicação, e quando nos dedicamos a alguma coisa – incluindo nós mesmos – inevitavelmente descobrimos que ela não é perfeita, no sentido de não ter problemas, limitações, etc. Do ponto de vista psicológico, a perfeição é a inteireza das coisas e não a ausência de falhas. Quando amamos algo, amamos sua totalidade, mesmo não gostando de algumas partes. O bom conhecedor sabe disso! Sabe que para conhecer é necessário abrir-se para as infinitas possibilidades da experiência, sejam estas boas ou ruins…o Éden ou a vida terrena. É por isso que o Gosto Pela Aprendizagem é uma força pessoal essencial para a felicidade, porque tal força nos mobiliza a cultivar o interesse por àquilo que nos propomos a conhecer.

GUERRA DE NERVOS

 Pesquisa mostra que homens e mulheres se estressam mais ou menos no trabalho por diferentes motivos

Por Revista Veja

O brasileiro trabalha em média 52 horas por semana e a tendência é que essa carga horária aumente consideravelmente na próxima década. Além disso, as responsabilidades de cada profissional devem se tornar ainda mais pesadas, com o gradativo acúmulo de funções (uma característica da era pós-industrial) e o acirramento da competitividade em todos os setores produtivos. É inevitável, portanto, que cresça também o número de trabalhadores estressados – e, conseqüentemente, de estudos sobre o stress, uma área de pesquisa que dificilmente produz algo que vá além do óbvio. Pois bem, um estudo não tão óbvio acaba de ser divulgado pela filial brasileira da International Stress Management Association (Isma), instituição formada por médicos e psicólogos e presente em doze países. Ele mostra que mulheres e homens se estressam mais ou menos no trabalho por diferentes razões. Para o estudo, foram ouvidos 600 funcionários de quatro grandes empresas em São Paulo, Porto Alegre e Belém. Numa primeira etapa, os participantes foram perguntados sobre o que lhes causava mais perturbação no escritório. Chegou-se a dezoito fatores, desde excesso de exigências por parte da chefia até tensões provocadas pelas novas tecnologias (internet fora do ar, celular sem sinal etc.). Em seguida, homens e mulheres foram entrevistados separadamente, para que se identificassem os principais motivos de stress em cada grupo.

O que mais causa stress nas mulheres é a sobrecarga de trabalho. Entre os homens, é o medo de perder o emprego. “As mulheres acham que precisam se esforçar mais e fazer várias coisas ao mesmo tempo para provar que são tão capazes quanto os homens”, diz a psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi, coordenadora da pesquisa. Por isso, segundo ela, as mulheres acumulam mais e mais funções. “Para impor credibilidade, sinto que preciso me empenhar mais do que meus colegas homens nas negociações com os clientes”, diz a administradora paulista Ana Carolina de Magalhães Cezário, 24 anos, que trabalha na área de logística ligada ao comércio exterior. “Esse é um dos motivos pelos quais mantenho um ritmo de trabalho muito puxado, com o celular ligado 24 horas por dia”, ela diz. No caso dos homens, a sobrecarga de trabalho aparece em quarto lugar. Outra grande preocupação é saber quais são suas chances de progredir. “Estou sempre atento às novas exigências do mercado porque quero crescer na carreira”, atesta o advogado mineiro Leonardo Guimarães Salles, 29 anos, que atua na área criminal. “Gostaria de fazer mestrado e cursos de reciclagem, mas não tenho conseguido por falta de tempo.”

De acordo com os especialistas, as mulheres em geral sofrem mais de stress do que os homens. “Elas trabalham tanto quanto eles e, quando chegam em casa, têm outro ‘emprego’, o de cuidar dos afazeres domésticos, do marido e dos filhos. É a dupla jornada de trabalho”, disse a VEJA o psicólogo americano Steven Sauter, do National Institute for Occupational Safety and Health (Niosh), órgão do governo americano que estabelece normas para a prevenção de doenças relacionadas ao trabalho. “As mulheres também se sentem mais cobradas no escritório por questões culturais”, diz Sauter. “Só recentemente elas passaram a competir profissionalmente com os homens.” E essa competição ainda é muito desigual. Nos últimos trinta anos, as mulheres conquistaram um grande espaço no mercado de trabalho, mas no mundo inteiro continuam a ganhar menos que os homens. No Brasil, segundo dados do IBGE, as mulheres têm escolaridade maior que a dos homens, mas seus salários são em média 30% menores que os deles.

Uma pesquisa feita recentemente pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas também mostra que as mulheres lidam com o stress de forma diferente da dos homens. “Elas são mais emotivas, se envolvem mais com os vários aspectos de um problema antes de atacá-lo de frente. Com isso, sofrem mais do que eles para tomar decisões”, diz a psicóloga Marilda Novaes Lipp, coordenadora da pesquisa. “Os homens são mais objetivos”, ela completa. Baseada nas pesquisas sobre o assunto, Marilda acredita que nos próximos anos a psicologia irá propor, para homens e mulheres, métodos diferenciados de tratamento de stress no trabalho. Mas que seja no horário do batente, por favor. Porque ninguém merece tratar de stress profissional nas poucas horas de folga.

Efeitos terapêuticos de manter blogs atraem atenção de pesquisadores

Por Jessica Wapner

A busca saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos. Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.

Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma.

Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.

(…)

O que se sabe é que a escrita ativa um conjunto de vias neurológicas – e vários estudiosos estão comprometidos em descobri-las. Na Universidade do Arizona, o psicólogo e neurocientista Richard Lane usa técnicas de imagem cerebral para estudar a neuroanatomia das emoções e a forma como elas são expressas. Nancy Morgan, principal autora do estudo publicado na Oncologist, pretende realizar novos estudos baseados na comunidade e ensaios clínicos sobre a escrita expressiva. Pennebaker continua a investigar a ligação entre a escrita expressiva e alterações biológicas, como uma melhor noite de sono, que são essenciais à saúde. “Acredito que o foco no sono é um dos mais promissores”, diz. Sejam lá quais forem as causas subjacentes, as pessoas diagnosticadas com câncer e com outras doenças graves estão buscando (e encontrando) cada vez mais conforto na blogosfera. “Sem dúvida criar blogs traz benefícios. E, diferentemente de um diário de cabeceira, os blogs oferecem o benefício adicional de atrair leitores receptivos, que viveram situações similares”, considera Morgan, que planeja incorporar programas de redação ao programa preventivo para pacientes de câncer.

Assumir postura passiva na hora da conquista pode tornar as pessoas mais rigorosos com possível parceiro

Por Mente e Cérebro

Em numerosos estudos sobre encontros “às escuras” – marcados pela internet ou intermediados por agências de namoros ­– as mulheres em geral se mostraram mais seletivas do que os homens ao considerar as características de alguém para um segundo encontro. Elas precisam ser exigentes porque, de acordo com a tão repetida teoria evolucionária, investem mais em um parceiro que tenha predicados suficientes para ajudá-las a manter a prole. Mas os pesquisadores fizeram um estudo curioso.

Convidaram pessoas de ambos os sexos, interessados em encontrar companheiros para um encontro. Eles permaneciam em mesas alinhadas e as moças sentavam-se a sua frente para uma conversa rápida. Após alguns poucos minutos de conversa, sob o comando de um dos coordenadores do experimento, elas se levantavam e passavam à mesa seguinte, onde conheciam outro possível pretendente. Em geral, nesse tipo de encontro, comum nos Estados Unidos, há uma inversão: são as mulheres que permanecem paradas, enquanto os homens mudam de lugar.

Os pesquisadores notaram que, quando são eles que ficam sentados (numa posição mais passiva e precisam lidar com a aproximação feminina, como se fossem elas que tomassem a iniciativa) eles se tornam mais seletivos.

Segundo os pesquisadores, é possível dizer que ao serem “assediados”, representantes dos dois sexos se mostram igualmente exigentes, o que sugere que normas sociais e pistas físicas podem ter um papel subestimado na escolha dos parceiros. Talvez esse seja um dos fatores que contribuem para que para muitos homens tenham tantas dificuldades para aceitar a tomada de iniciativa por parte das mulheres na hora da conquista: ser “escolhido” oferece mais opções de dizer “não”.

Celebração em homenagem a São Valentim surgiu na Idade Média e por séculos foi uma festa que liberou mulheres casadas para trair seus maridos

Por História Viva

 

*Cartão comemorativo do Dia de São Valentim, publicado em 1883 nos Estados Unidos da América.

O dia dos namorados, ou dia de São Valentim, como é chamado em alguns países, é uma das principais datas comemorativas do planeta. A troca de presentes e mensagens entre os casais aquece o comércio e gera cifras colossais em diversos países. No entanto, a celebração nem sempre foi ligada ao comércio. A festividade tem raízes históricas que remontam aos rituais pagãos da Roma antiga.

De acordo com a tradição, o dia 14 de fevereiro, data em que o dia dos namorados é comemorado em países como os Estados Unidos, relembra o aniversário de morte de São Valentim, mártir cristão que provavelmente viveu durante o século III. Nesse período, o imperador romano Claudio II proibira os casamentos, por acreditar que os homens solteiros e sem responsabilidades familiares eram melhores soldados. Valentim se opôs a essa decisão, concedendo as bênçãos matrimoniais a jovens noivos de forma clandestina.

A rebeldia do santo o levou à prisão e ele acabou decapitado no ano de 270. Durante o período em que esteve trancafiado, Valentim teria se apaixonado por uma jovem, filha do carcereiro, com quem manteve um romance secreto. Antes de sua morte, o religioso lhe escreveu uma mensagem em que assinou “do seu Valentim”, criando aquilo que se tornaria o primeiro cartão de dia dos namorados.

Dois séculos depois, no ano de 496, o papa Gelásio I escolheu Valentim como símbolo dos enamorados. No entanto, toda a saga do mártir é incerta. Há pelo menos três religiosos com o nome de Valentim, dois deles sepultados em Roma e um terceiro que teria sido morto na África. A própria Igreja Católica, em 1969, deixou de celebrar o aniversário do santo por considerar suas origens – e mesmo sua existência – incertas.

Apesar dessas dúvidas sobre a verdadeira história do mártir, a data que relembra sua morte se consolidou durante o período medieval, mas de uma maneira muito diferente da que conhecemos hoje. Ligadas a rituais de fertilidade e renovação da terra que remontam ao período romano, as comemorações do dia de São Valentim eram o momento em que as rígidas condutas morais impostas pela Igreja Católica eram quebradas. Nessas festividades, as mulheres casadas reconquistavam as liberdades do tempo de solteiras e ficavam livres para flertar com quem quisessem, podendo até cometer adultério com a tolerância de seus maridos.

Esse tipo de conduta, que desafiava o sagrado dever da fidelidade, foi duramente combatido pela Igreja, especialmente após o século XVII, durante a chamada Contra-Reforma. Essas tradições se mantiveram por algum tempo em regiões como Turim e Gênova, mas a partir do século XX já haviam desaparecido por completo. A partir de então, a comemoração do dia de São Valentim abandonou suas raízes libertinas e se tornou uma ocasião para as demonstrações de afeto entre casais de todo o planeta.

No Brasil, a história do dia dos namorados começou em 1949. Na época, o empresário João Dória trouxe do exterior a ideia de celebrar uma data em homenagem aos jovens casais. No entanto, a festa passou por algumas adaptações para se encaixar melhor nas tradições do país. Em primeiro lugar, a referência a São Valentim, santo nada popular na cultura brasileira, foi abandonada. Em seguida, trocou-se o dia 14 de fevereiro pelo 12 de junho. A nova data, véspera do dia do “santo casamenteiro”, Santo Antônio, foi escolhida para que a festividade pudesse animar o fraco comércio no sexto mês do ano. E deu certo.

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